Dislexia?

Escrito em em Outubro 16, 2017

A dislexia é, logo a seguir à hiperatividade, a justificação mais frequente para o insucesso escolar. Mas afinal o que é a dislexia?

– Omissões, substituições, distorções ou adições de palavras ou partes de palavras;
– Baixa velocidade de leitura;
– Falsas partidas, hesitações longas ou “perda de lugar” no texto e fraseologia incorreta;
– Inversões de palavras dentro da frase ou de letras dentro de palavras.

E todas as dislexias são iguais? Não. E nem sempre estes comportamentos correspondem a dislexia. Por isso é tão importante começar com um BOM DIAGNÓSTICO! Errar no estudo inicial da causa, pode fazer demorar meses ou mesmos anos a tratar o que pode desaparecer em pouco tempo.

Quais então as condições psicológicas em que podem aparecer aqueles comportamentos que tanto dificultam a vida escolar da criança e do adolescente?

Uma delas é realmente a dislexia. Mas as mesmas dificuldades aparecem em crianças e jovens quem mesmo que muito inteligentes, não amadureceram ainda para assumir responsabilidade de trabalho escolar; ou com características de personalidade que se opõem a esse trabalho se não é pela sua própria vontade; que em crianças e jovens ainda não desenvolveram suficientemente capacidade de abstração para a aprendizagem da leitura e escrita e precisam ser estimuladas em a nível intelectual; ou simplesmente em crianças que ainda estão perdidas a tentar entender o que é a escola …

Propriamente dislexia

Os casos de crianças e adolescentes que apresentam uma condição de dislexia primária, ou seja, aquelas dificuldades são exatamente dislexia, são poucas. A causa está associada a insuficiente maturação de uma de duas áreas do córtex cerebral. Uma localizada no hemisfério cerebral direito, que dificulta o processamento em tempo útil da informação espacial, originando a dislexia visuo-espacial.

A outra forma de dislexia, a dislexia fonológica, está associada a uma área localizada no hemisfério cerebral esquerdo.

A outra forma de dislexia, a dislexia fonológica, está associada a uma área localizada no hemisfério cerebral esquerdo.

Nenhuma destas duas formas de dislexia corresponde a uma doença. Estas duas áreas cerebrais, tal como acontece com 75% do cérebro humano, não tem informação genética para se formar e trabalhar da forma que desejamos. São áreas cerebrais que se estruturam de forma funcional ao longo do desenvolvimento, e com base no tipo de brincadeiras e de interações da criança com outras crianças e com o adulto. Por isso em vez da palavra doença usamos a palavra condição psicológica. Mas claro que esta condição implica uma intervenção rápida de forma a tornar aquela área cerebral tão funcional quanto ela é nas outras crianças e jovens que aprendem a ler com facilidade. Este trabalho é realizado em sessões de Educação neurocognitiva por especialistas treinados.

Imaturidade para a escola e características de personalidade

Duas outras causas que podem igualmente originar dificuldade na aprendizagem da leitura é a imaturidade da criança e do adolescente para orientar a sua atividade pelas obrigações e não apenas pelo que lhe apetece e deseja. Mesmo crianças com uma excelente capacidade intelectual, mas com imaturidade para o trabalho escolar, apresentam fracos resultados ou resultados inconsistentes que prejudicam o seu sucesso educativo e muitas vezes contribuem para desejar o abando escolar.

As características de personalidade são avaliadas por exames específicos que permitem quantificar e comparar com tabela de valores por idade, a capacidade formar vínculos afetivos fora da família, assertividade (indica a qualidade da relação interpessoal), dependência, maturidade nas relações interpessoais (oposto a ingenuidade), autoestima, angústia (sensação de que, se precisar, só pode contar consigo mesmo), pessimismo (Sensação de que nada nem ninguém poderá contribuir para uma mudança positiva), recursos para lidar com o stress, stress por crítica externa, e outras que podem impossibilitar a criança e o adolescente de expressar a sua capacidade intelectual e o gosto por aprender. Ao contrário do que acontece no caso da dislexia primária, nestes casos o psicólogo desenha planos de trabalho baseados em psicoterapia focada no desenvolvimento pessoal.

Insuficiente capacidade de abstração

A insuficiente capacidade de abstração pode também estar na origem da dificuldade em aprender a ler. A inteligência não é inata, desenvolve-se com a atividade da criança e do adolescente e por isso, depois de um estudo bem orientado, é possível estimular e desenvolver essa função mental tão importante em tantos contextos da vida. Juntamente com o exame da Atividade Voluntária (L. Quintanar & Yu. Solovieva, 2010), o exame da Atividade Intelectual (Yu. Solovieva, 2014), permite ao psicólogo não apenas perceber o nível já atingido pela criança ou pelo adolescente, mas dá-lhe também orientação para desenhar o plano de desenvolvimento e promoção da capacidade de abstração.

Ultrapassar dificuldades e problemas

A psicologia tem como objetivo contribuir para ultrapassar dificuldades e problemas. Um trabalho que exige um estudo cuidado antes de começar qualquer intervenção. Dificuldade em aprender a ler e escrever nem sempre significa dislexia, mas qualquer que seja a causa da dificuldade, ultrapassa-la é fundamental para o bem-estar da criança e do adolescente e para o seu sucesso escolar.

O sucesso escolar é fundamental para o bem-estar da criança e do adolescente, mas ainda mais um elemento fundamental no seu sucesso quando adulto.



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