Parentalidade afetiva

Escrito em em Junho 18, 2018

A parentalidade centra-se no afecto que se estabelece entre quem cuida e quem é cuidado

Felizmente já não estamos no tempo em que gostar ou não de um filho permitia escolher que ele vivesse ou morresse. Sei que esta realidade choca, mas era a realidade há cerca de 1600 anos. Também já não estamos no tempo em que ter um filho era uma obrigação social e económica, a razão para o casamento, tão reclamada pela família sempre que o casal demorava mais tempo a dar a notícia da gravidez. Felizmente que também já não estamos no tempo em que o mito do relógio biológico levava à gravidez planeada mas nem sempre verdadeiramente desejada. Pelo menos são cada vez menos as pessoas que assim pensam em relação à parentalidade.

Hoje as pessoas adultas têm filhos, porque sentem a relação como sendo segura, que já conhecem bem a pessoa que escolheram para partilhar a vida e o corpo, num tipo de relação a que chamamos Amor.  

E porque os filhos já não nascem por obra do acaso, nem pela força da obrigação, e nem sequer pela precipitação da imaturidade, reconhecemos cada vez mais, em cada relação entre pais e filhos, os laços da afectividade. E até já os casais com problemas de infertilidade, assim como no futuro os casais homossexuais, têm filhos, porque a parentalidade não se centra na bioquímica de um óvulo ou de um espermatozóide, mas no afecto que se estabelece entre quem cuida e quem é cuidado.

Este é o texto que desejo um dia escrever, convicto de que realmente é essa a realidade. Porque hoje, infelizmente, as coisas ainda são bem diferentes… E é exactamente por isso que tantas crianças são infelizes, que tantas crianças e jovens apresentam problemas e não conseguem atingir a cidadania a que tinham direito. 


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