Uma Relação Mutuamente Contingente

Escrito em em Junho 18, 2018

15 minutos com o seu filho

O que é o afeto?

Ligação emocional que se forma entre duas pessoas;

Uma delas cuida e a outra é cuidada;

As pessoas relacionam-se de modo continuado no tempo, e de um modo muito específico.

De 0 a 1 Ano

Quando o bebé está com a fralda limpa e tranquilo, e está o pai/mãe e o bebé a olhar nos olhos um do outro…

… o bebé começa a fazer algo, e de seguida pára.

Aqui, o pai/mãe, após entre 5 a 9 segundos, ou imita, ou faz um brrum com os lábios, ou apenas uma festinha na barriga… e pára.

Depois o bebé repete e de seguida, pára.

De seguida, é novamente a vez do pai/mãe.

Dos 2 aos 3 Anos

Num domingo à tarde, quando o pai/mãe está completamente disponível…

…pode aproximar-se do seu filho e esperar que este tenha alguma iniciativa.

Se o filho olhar para o pai/mãe, então este deve sorrir e repetir o que a criança estava a fazer.

Ex: A criança atira um brinquedo ao ar.
O pai/mãe então diz eehhhh, com muito
entusiasmo, e agarra o mesmo
brinquedo e faz o mesmo movimento. 

É natural no início o pai/mãe sentir
alguma vergonha. Com o passar do
tempo, o pai/mãe fica mais maduro e
seguro de si, sendo capaz de brincar
com o filho, mesmo numa estação de
metro.

Dos 4 aos 6 Anos

Basta o pai/mãe aproximar-se do filho e, assim, que o filho o “convidou” para a interação, basta copiar a brincadeira dele. Não é necessária ainda muita inovação.

Como nesta fase a criança está a descobrir o íntimo, é provável que ela diga palavras como chichi e cocó, com cumplicidade e como se fosse um segredo. Como este não é o tempo para educar, mas para fazer crescer, o pai/mãe pode
até repeti-las.

Deve se incluir emoção, isto é, o pai/mãe deve acompanhar todos os seus movimentos com muita entoação (ex: ahh, uhh, ehh).

O vínculo emocional que o pai/mãe está a criar com o filho vai ajudar a que ele o reconheça com autoridade e, por isso, a atitude do pai/mãe fora dos 15m rapidamente será entendida como pertencendo a um tempo diferente e ele não estranhará.

Dos 7 aos 11 anos

Esta é a idade das descobertas junto dos amigos, junto do que está fora de casa.

O pai/mãe deve aproximar-se do seu filho, quando ele estiver “em contacto” com as coisas do mundo que existem fora de casa (ex: quando estiver a mexer na mochila da escola; quando estiver a fazer uma brincadeira que tem a ver com
algum amiguinho).

Deve mostrar curiosidade, assumir o papel de extraterrestre, e fazer perguntas sobre o que ele está a brincar (ex: Mas porquê? Como foi? Ai foi? E depois?).

Já não é necessária tanta emoção como na fase anterior. Se o pai/mãe o fizer, vai parecer pouco sério.

Apesar da linguagem estar muito mais fixada no cérebro, ainda não está o suficiente, pelo que é provável que a conversa seja acompanhada de brincadeira. O pai/mãe deve alinhar na mesma.

ATENÇÃO: brincar não é usar consolas nem jogos de computador!

Dos 12 aos 15 anos

Na fase da puberdade, já não faz sentido brincar com o seu filho. Em contrapartida, o púberes já aguentam bem uma longa e agradável conversa (ex: num passeio de carro; numa boa caminhada a dois).

Já não há necessidade que a conversa seja semanal, e pode ser feita a 3 (casal e filho).

As preocupações dos púberes estão relacionadas com a sexualidade e com os amigos. O pai/mãe não deve dizer diretamente ao filho para falarem sobre sexualidade, porque ainda o vai fechar mais. Nem deve fazer questões pessoais sobre os amigos. Mas, pode falar sobre estes temas entre o casal, à frente do filho.

Atitude expectante!

Espectador interessado e curioso;

Ouvinte atento, que não interrompe.

Dos 16 aos 20 anos

Esta é uma idade onde o jovem se afasta dos pais,
devido ao seu processo de crescimento. No
entanto, cabe ao pai/mãe não aceitar esse
afastamento.

O pai/mãe deve chamá-lo (em vez de o convidar)
para um passeio de carro ou a pé.                                                                                      

O condicionamento de estarem juntos deve ser do
pai/mãe. Mas a iniciativa continua a ter que ser
do filho; ele inicia a conversa e escolhe o tema, ou
dá uma “dica”.

Se ele disser que não quer conversar, o pai/mãe
deve dizer que não é obrigado a isso, mas que o
quer ao seu lado, pelo menos algum tempo.

Os 15m a 3 da fase anterior devem ser reduzidos.

Em resumo

É necessário que o adulto se aproxime, com a disponibilidade de seguir uma iniciativa da criança.

Para que o adulto mostre de forma mais evidente que o que está a fazer foi iniciado pela criança, pode começar por imitar a criança.

Mas também pode inventar um outro comportamento.

O truque é que o adulto apresente o comportamento 5 a 9 segundos imediatamente após o da criança terminar. Depois deve dar à criança a oportunidade de se exprimir novamente, e mais uma vez o adulto apresenta o mesmo comportamento que expressou pela primeira vez.

Os momentos serão deliciosos e proporcionarão um desenvolvimento cerebral e da personalidade à criança, púbere e jovem.

Só para recordar

Se tem quinze minutos, aproxime-se do seu filho e espere;

Quando ele fizer algum gesto, ou produzir algum ato, faça o mesmo;

Se ele repetir o que havia feito, então repita você o que você havia também feito;

Se ele é mais crescidinho e já fala, dê continuidade ao que ele diz;                                     

Não mude o tema, continue no mesmo assunto;

Não se esqueça de uma pequena paragem entre ele e você;

Estas trocas relacionais são necessárias ao longo de toda a vida, portanto chame o seu filho para junto de si;     

Não tenha vergonha de mostrar emoções quando está com o seu filho. Uma relação só é uma relação, se cada pessoa mostrar sentimentos.

 

Em PDF    15 minutos com o seu filho: uma relação mutuamente contingente

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